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METRÔ VOLTA, QUASE LIVRE DOS ANOS 80
Último Segundo - IG
04/12/2002 - 17h15
 
 
SÃO PAULO - O Metrô está de volta. Mas não espere encontrar repetições do pop alegre e juvenil de "Beat Acelerado". Não ache também que o álbum "Dèjá Vu" é mais um dos aparentemente intermináveis revivals, acústicos e que tais de bandas dos anos 80 que invadem o mercado mundial.
 
Embora a febre retrô tenha sido o que motivou o assédio do mercado fonográfico à banda, o resultado apresentado é um disco novo (apesar das regravações) e não mais um "reencontro". Os antigos hits estão lá, mas "Dèjá Vu" não precisa deles para sobreviver.
 
Com o sucesso da volta de algumas bandas oitentistas, chegou a vez do Metrô receber convites para gravar acústicos e DVDs. Apesar de dizer que "não critica" os colegas que aproveitaram a onda, um dos integrantes do Metrô, Dany Roland, afirmou em entrevista ao Último Segundo que a proposta não interessou. "Não tenho interesse em fazer algo que já fiz há 20 anos. Não tenho nostalgia nenhuma", declarou, acrescentando que o nome do álbum (Dèjá Vu) é uma ironia à febre dos revivals.
 
No entanto, o fato reforçou a vontade que os integrantes da banda tinham de voltar a trabalharem juntos. Segundo Dany, durante os 17 anos em que o grupo esteve separado, o contato entre eles continuou, e houve até mesmo projetos esporádicos reunindo Dany e Yann. Dos cinco componentes originais, três (Dany, Yann e Virginie) toparam gravar um novo álbum.
 
O álbum foi todo gravado em um estúdio na casa de Dany, no bairro carioca de Santa Teresa, usando um pro tools e apenas um microfone. A idéia era gravar músicas que os marcaram de alguma forma durante a vida, tudo no melhor estilo "entre amigos": em casa, escolhendo o repertório usando critérios estritamente pessoais e na maioria das vezes gravando as canções em um take só.
 
Ao todo, o Metrô gravou cerca de 50 músicas. Na hora de apresentar o trabalho aos executivos que queriam um revival, no entanto, deram com a cara na porta. "A gente queria um momento íntimo e ninguém entendeu nada", diz Dany. "Um dos executivos disse que foi a pior coisa que ele já ouviu", ri. "Isso só me deu mais certeza do trabalho".
 
O resultado foi um álbum de ar moderninho, mas elegante, que troca o pop saltitante de quando tinham 20 e poucos anos por uma levada lounge. Para Dany, a mudança foi natural e espontânea. "É o clima lá da minha casa mesmo, de Santa Teresa", diz. "É bem sincero".
 
O disco tem regravações de Caetano Veloso, Jorge Benjor e Herbert Vianna, além de participações de Otto e Jorge Mautner. Os três maiores hits do Metrô também ganharam novas versões: Beat Acelerado, Sândalo de Dândi e Johnny Love estão de cara nova.
 
Para os que estranham a versão "desacelerada" de Beat Acelerado, Dany conta que a primeira gravação da canção era quase uma bossa nova, no melhor estilo banquinho e violão. Mas a versão mais tecnopop foi a que estourou no país.
 
A banda ainda tem dúvidas sobre a vontade de haver de fato uma volta do grupo, ou apenas trabalhos extemporâneos. "A gente não faz plano nenhum para o futuro", diz Dany. Até porque cada um dos atuais três componentes do grupo mora em um lugar do planeta: Dany vive em Santa Teresa, no Rio; Yann mora em Ilhabela, São Paulo; e a charmosa vocalista Virginie está morando na África. Dany diz que teme fazer da música uma rotina. "A gente se encontra e vira uma coisa especial, lúdica. É bom que comece assim, pelo menos".
(Carina Martins)
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