OLHAR
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DÉJÀ VU DO METRÔ APOSTA NA ELETRÔNICA
Som Livre - Gaveta
13/12/2002
 
 
O Metrô apareceu no final de 1984, quando o compacto com as músicas "Beat Acelerado" e "Sândalo de Dandi" foi lançado no meio da já efervescente cena pop-rock do Brasil. Os cinco garotos franceses (Virginie, vocal; Dany, bateria; Yann, teclados; Zavie, baixo; Alec, guitarra e violão) vieram somar forças - e repertório - à nascente geração new wave, que também tinha como adeptos o Kid Abelha e o Sempre Livre (encabeçado por Dulce Quental), entre muita gente.
 
Olhar, o LP "cheio" do Metrô, viria no ano seguinte. Dele, pelo menos mais três músicas estouraram nas rádios: "Cenas Obscenas", "Johnny Love" e "Tudo Pode Mudar". Já eram 5 hits em um ano e, impulsionada por eles, a banda passou a fazer shows quase diários pelo Brasil. Fez uma carreira meteórica e se desintegrou em 1986, com a saída da vocalista Virginie. Eles ainda lançaram um disco em 1987, com outro vocalista, mas nada aconteceu. Fim.

Fim nada! Quinze anos depois, do miniestúdio improvisado na casa de Dany, sai o mais novo filho do Metrô, Déjà-vu. Misturando alguns dos velhos hits da banda a repertório inédito e releituras de clássicos da MPB, o disco pode ser o estopim da volta definitiva do Metrô. "Fazer esse disco foi tão lindo e tão prazeroso que agora acho que a gente entrou num processo irreversível", diz Yann. Agora a banda só conta com três integrantes (Alec e Zavie estavam entretidos com outros assuntos e não quiseram fazer parte da volta).

O processo de criação do disco foi o mais artesanal possível. Tudo foi gravado em casa, com um computador, dois teclados, um violão e um microfone. "Fui encontrar com Dany no Rio de Janeiro e acabei me mudando para lá, para poder trabalhar as músicas. Gravamos umas 50, mas tudo completamente sem compromisso. Mostramos o resultado pra Virginie, que estava morando em Moçambique, e ela gostou muito. Acabou voltando para o Brasil", conta Yann. Virginie gravou as vozes todas em uma só semana em que passou no Brasil de férias. "A gente não fez pensando em nada: nem em retorno de Metrô, nem em anos 80, nem em ser comercial, nem em não ser, nada disso. Só no prazer e na música", Yann jura.

O flerte com a MPB é mais claro agora que em 1985. "A Virginie sempre gostou muito de MPB, freqüentava rodas de samba quando morava no Brasil. E já no nosso primeiro disco, 'Beat Acelerado' tem revestimento tecnopop, mas a harmonia é completamente de bossa nova", diz. Mais que harmonia, agora o Metrô usa o repertório clássico da MPB. Entre os deliciosos sucessos da banda e algumas músicas novas, foram regravados em Déjà-vu compositores emepebistas de muitas gerações como Ary Barroso, Ataulpho Alves, a dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Jorge Ben, Caetano Veloso até chegar no contemporâneo deles, Herbert Vianna. "Nosso critério foi: 'o que te arrepia?'. Cada um respondia alguma coisa que o emocionava e a lista ia crescendo", conta Yann.

Muita gente que estava pelos arredores da casa de Dany nos tempos das gravações acabou entrando no trabalho: Jorge Mautner veio e trouxe o parceiro Nelson Jacobina. Otto foi convidado e arrastou junto consigo (e para dentro de sua faixa no disco) o poeta Waly Salomão. Preta Gil passou ali, ouviu e quis cantar um pouco também. E foi assim com Lucas Santtana, com André Fonseca, com todo mundo. A coisa foi crescendo até chegar em "quase 50 músicas", das quais apenas 15 entraram finalmente no CD. Se, por falta de espaço, ficou muita coisa de fora, nada deve permanecer perdido por muito tempo. Yann está ansioso, feito criança que ganhou brinquedo novo: "Sobrou um monte de material e a gente ainda está com milhares de idéias. E eu já estou louco para fazer um outro disco".
(Marcos Preto)
 

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