OLHAR
Homepage do Metrô
 
DÉJÀ VÚ
Omelete
24/01/2003
 
A lista de de nomes da música resgatados direto dos anos 80 não pára de crescer. 

Agora, quem está de volta é o grupo Metrô, que deixou sua marca na história da música pop brasileira com hits como "Beat acelerado", "Johnny Love", "Sândalo de dandi" e "Ti Ti Ti" - tema de novela homônima da Rede Globo. Apesar do estouro, o quinteto formado por Virginie (voz), Alec (guitarra e violão), Zaviê (baixo), Yann (teclados) e Dany (bateria), durou pouco e teve carreira meteórica.
 
Beat acelerado
Depois de um começo embrionário com o nome de A Gota Suspensa e um disco independente em 1983, o Metrô popularizou-se rapidamente. Lançado em 1985, logo após o estouro do compacto "Beat acelerado" em 1984, o disco Olhar (que não incluía a música-símbolo do grupo) era uma sucessão de irresistíveis canções que resumiam toda a energia do emergente pop-rock brasileiro, com muitos teclados new-wave e letras ingênuas. A bela vocalista Virginie dividia com Paula Toller (do Kid Abelha) as atenções dos garotos, com a vantagem de possuir na época uma voz bem melhor e mais técnica. Também popular era o baterista e ator Dany, garoto-propaganda da marca US Top. Era ele o cara da propaganda, que sempre ouvia do chefão mafioso o bordão “Bonita camisa, Fernandinho!”.

Mas o sucesso foi passageiro e a crise veio no auge da fama. Virginie saiu e o grupo tentou se manter com o cantor português Pedro Parq à frente, mas acabou sumindo junto com tantas outras bandas da época. Em 1989, Virginie lançou um compacto e um álbum ao lado do grupo Fruto Proibido e depois parou de vez. E agora, talvez animados pelo revival de sua geração ou pela simples curtição de tocar juntos, alguns dos integrantes originais se reuniram e lançaram um novo disco, sem grande alarde nem armações com a mídia.

Déjà-vú
O retorno do Metrô tem tudo o que não se espera de uma banda surgida no pop-rock brasileiro dos anos 80. O tom geral é meio depressivo, sem a alegria do repertório original. A primeira música de trabalho, "Mensagem de amor", é regravação de um sucesso dos Paralamas do Sucesso e seu arranjo dá o tom do novo álbum. Com muito samba e bossa-nova temperados com música regional, samples variados e batidas eletrônicas convivendo com suaves violões, Déjà-vu apresenta novas composições, versões e muita viagem sonora. No total, 15 faixas distintas, mais 4 versões remixadas.

Agora reduzido a um trio, o Metrô ressurge com Virginie e outros dois fundadores, Yann e Dany, que se revezam em diversos instrumentos e também são os responsáveis pela produção e gravações. Morando com a família em Moçambique, Virginie voltou pra matar saudades do Brasil, dos amigos e da música. O projeto foi arquitetado por Yann e Dany, já que Alec não se interessou em voltar e atualmente desenvolve trabalhos com Kiko Zambianchi. Além deles, Zaviê, o baixista original (atualmente dono do restaurante La Tartine), aceitou retornar apenas para algumas gravações, como convidado especial.

O repertório certamente não agradará a roqueiros em geral, sendo voltado ao público da MPB. Todavia, o resultado é bastante agradável e a música, acima de todo e qualquer rótulo, é de grande qualidade.

E para quem tem saudades do velho Metrô, ainda dá pra encontrar o disco Olhar, que foi lançado em CD dentro da coleção Autêntico, da Sony Music.
 

 
(por Alexandre Nagado)
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