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DIÁRIO DE BORDO
por Virginie
 
Moçambique, março/2003
O que dizer sobre o show?
Falar do seu público que veio curioso, pois não conhecia o repertório e poucos a cor do som. Havíamos feito alguma divulgação em rádio e tv aqui em Maputo, mas tipo nos três dias antes do show. Só alguns amigos conheciam o disco. Os garotos, Dany, André e Donatinho, vieram a convite do François Belorgey, que é diretor do centro cultural Franco-Mozambicano, para a abertura da semana da francofonia. Eu tinha trazido a ele, ao voltar do Brasil em janeiro passado, Déjà Vu e alguns artigos de jornais e revistas, ele então fez o convite que aceitamos na hora, claro!
Então saiu o programa do centro cultural, com foto e tudo e então, há algum tempo meus amigos franceses andavam me perguntando: E ai? Pronta? Chegaram seus amigos?
Os brasileiros ficaram sabendo do show na embaixada do Brasil, no Centro Estudos Brasileiros, aonde faríamos um work shop também na segunda dia 17, e também por uma amiga de longa data, a Gloria, que foi namorada do querido Joe (co-autor de Tudo Pode Mudar e Johnny Love) que se encarregou com sua turma de espalhar para um máximo de brasileiros e afins via seu restaurante brasileiro, A Tasquinha. Ela também faz parte da Associação Afro-Brasileira de Maputo.
Enfim, o fato é que o público veio muito a fim e participou bastante, aplaudindo, olhando com aqueles olhos. A música brasileira é adorada pelos franceses, os Moçambicanos abrem um sorriso de lado a lado se você diz que é brasileiro.
Haviam também, claro, pessoas de outras culturas, pois o centro cultural é super ativo e tem um público fiel que costuma vir curtir os bons espetáculos que são trazidos para lá pela equipe do Belorgey.
A minha delícia, confesso, foi, ao subir no palco, dar com uma primeira fila todinha de crianças, tão lindas e cativadas.
Estávamos um bocado ansiosos antes do show. Normal, era o primeiro de cabo a rabo em dezessete anos e, mesmo se esta coisa de morarmos longe é estimulante, fica tudo com meio ar de festa surpresa, ao mesmo tempo que queremos fazer a coisa muito direitinho. Ensaiamos muito antes e depois do Donatinho ficar bom de uma virose que grudou ele na cama por três dias com 39°!
Passamos o som umas três horas para deixar tudo tinindo. E chegou a hora do show: ufa! Um bom copo de água, uma mise en bouche deliciosa feita por Celia, cantora moçambicana que arrasou com sua bela voz. Além do mais, passei o meu nervosismo acalmando-a pois ela estava ainda mais ansiosa do que eu! Chegou a nossa vez, e o público estava chamando: Metrô! Metrô! Metrô! Incrível!
Abrimos como na Fnac, com Saudades da Bahia, valeu como boarding pass. Mensagem de Amor, Coração Vagabundo, Beat Acelerado, Johnny Love, enfim, o repertório do Déjà Vu quase todo. Acrescentamos com delícia duas canções em francês, uma de Charles Treynet, Que Reste-t-il só com voz e violão do André Fonseca. Também fizemos uma das primeiras canções que aprendi a tocar no violão, Le Premier Bonheur Du Jour, de Françoise Hardy, também gravada em outros tempos pelos Mutantes da Rita Lee. Enfim, só canções e músicas muito íntimas: foi uma muito boa viagem.
Claro que tivemos um ou outro pequeno nahnhanhanheco nha técnico, tipo "aonde foi para o som do violão?" só para a adrenalina, mas o que contou foi que o público cantou, vibrou e aplaudiu longamente.
Eu me diverti o máximo, segura com a minha turma, a vontade finalmente no palco após tanta ansiedade antes: já tinha tido tanto "trac" que qualquer coisa que viesse era bem vinda, contanto que já fosse! Pior é a expectativa.
Jean-Michel filmou o show e assistimos logo depois em casa: foi legal! Foi bom sentir que a onda passava. Foi meu primeiro show fora do Brasil. Se bem que Maputo é um pouco Brasil, mas isto é uma história de semelhanças e saudades.
Na segunda feira a noite, depois de um belo passeio pelo parque Kruger, tivemos um work shop muito legal com uma boa turma de ótimos músicos e cantores daqui, cada qual com seu estilo e cada instrumento louco! Dany colheu material para trocas trocas .
De qualquer modo, adoramos e estamos agitando para poder tocar por aí em breve, ok?
 
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