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METRÔ LINHA 2002
Correio da Bahia
13/12/2002
 
 
O grupo pop dos anos 80 volta à cena com o bom "Déjà vu"
As aparências enganam. A máxima popular se aplica ao novo álbum do Metrô. O nome é Déjà vu (termo francês para aquilo que dá a impressão de já ter sido visto), mas melhor é entendê-lo de maneira docemente irônica. Apesar da releitura dos hits oitentistas Beat acelerado, Johnny love e Sândalo de dândi, o Metrô 2002 está em outra.
 
Reduzido ao trio Virginie (casada, com duas filhas e morando em Mabuto, Moçambique), Dany Roland e Yann Lao, o grupo volta fazendo pop eletrônico influenciado por ritmos brasileiros (e étnicos). Esteticamente, o Metrô pode ser colocado na boa companhia de Bebel Gilberto, Otto e Fernanda Porto, por exemplo.
 
"Sim, é isso. Você compreendeu o que fazemos agora. Recebemos várias propostas indecentes (risos) para gravar DVD ou algo acústico em cima do new wave dos 80, mas não faria sentido. Mesmo no passado, nunca fizemos nada para agradar à indústria, mas a nós mesmos, para a gente se divertir", explica Yann, por telefone.
 
A banda lançou dois álbuns nos anos 80 (Olhar/85 e A mão de Mao/87) e se separou. "Acabamos por causa do estresse. Fazíamos cinco shows por semana em condições técnicas precárias, coisas assim. Como nunca procuramos o sucesso pelo sucesso, resolvemos nos separar", conta Yann que, ao lado de Dany, formou o grupo The Passengers, na Europa, entre 92 e 94.
 
O regresso foi sendo construído naturalmente de um ano para cá, entre viagens, papos e computadores de Yann e Dany, que se conhecem desde a adolescência. "Vim ver Dany no Rio e, em um mês, gravamos 20 músicas e mandamos para Virginie. Ela adorou e veio ao Brasil, em abril. Tudo foi muito bom e divertido", afirma Yann.
 
Com participações de Jorge Mautner, Otto e Lucas Santtana, Déjà vu é uma grata surpresa. Simples e saboroso, sabendo unir produção caseira e sofisticação, é um trabalho cool e traz Virginie com voz ainda mais delicada em Mensagem de amor (Herbert Vianna), Que nega é essa? (Jorge Ben), Coração vagabundo (Caetano Veloso) e Resemblances (Arto Lindsay), dentre outras.
 
De bônus, o CD oferece remixes de Coração vagabundo, Beat acelerado, Achei bonito (com cântico de reisado infantil do sertão cearense) e da faixa-título. Enquanto espera que o CD emplaque no Brasil, o Metrô planeja shows na Europa e na África. Pelas 15 boas canções de Déjà vu, Virginie, Yann e Dany merecem boa sorte.
(Hagamenon Brito)
 
Ficha:
Disco: Déjà vu
Artista: Metrô
Produção: Dany Roland e Yann Lao
Gravadora: BD/Distribuidora Independente/Trama
Preço: R$22 (sugerido)
 
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