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TRILHA PARA UM VERÃO MAIS SIMPLES
Claque.com.br
04/02/2003
 

Hits radiofônicos (Beat Acelerado, Tudo Pode Mudar e Sândalo de Dandi). Apresentações dubladas em programas de auditório. Tema de abertura em novela das sete (Ti ti ti). Participação em filmes musicais precários bancados pela Embrafilme (com a canção Johnny Love). Sem dúvida, o Metrô teve, nos anos 80, seu quinhão de sucesso. Favorecido pela inclinação pop-rock do mercado fonográfico da época e apoiado na simpatia de Virginie, sua vocalista, o grupo era, no entanto, considerado uma diversão ligeira, descompromissada. O curto desenrolar da carreira da banda parecia confirmar esta suspeita, mas, no fim das contas, a lembrança de suas canções mais conhecidas acabou persistindo até hoje.
 
Não é à toa, portanto, que três êxitos oitentistas do Metrô estejam presentes em Déjà-vu, o mais recente lançamento do grupo depois de mais de uma década de ausência. Neste trabalho, três integrantes da formação original da banda ? Virginie, Danny Roland e Yan Lao ? optaram pela m?sica eletrônica com toques "bossa-novísticos", o que não é estranho nem chega a ser tão surpreendente como vem aparecendo na mídia. Além da tendência internacional para este estilo, tanto os integrantes quanto os fãs do Metrô amadureceram. Um som cool parece ser uma alternativa pop mais ao gosto de jovens adultos com menos pique para "saracotear" alegremente.

Musicalmente, Déjà-vu não traz novidades. O formato eletrônico da mistura de pop, música regional nordestina e MPB é agradável, mas foi engendrado com mais originalidade por Otto e Bebel Gilberto. Isto porém não diminui o CD, um trabalho bem cuidado, que deixa transparecer o clima de camaradagem em que foi produzido. Entre os vários colaboradores estão Zaviê (ex-integrante do antigo Metrô), Lucas Santana, Otto, Wally Salomão e Jorge Mautner, figuras tarimbadas tanto da velha quanto da nova guarda da música brasileira. Vale lembrar que eles não se destacam excessivamente, estando todos a serviço da coerência sonora de Déjà-vu. Até a espevitada Petra Gil faz participação vocal discreta, que em nada lembra sua persona exibicionista tantas vezes estampada na Caras e revistas do gênero. Muito bom, portanto, que não se faça sombra à doçura e à leveza de Virginie, cujo charme é capaz de fazer inveja a qualquer Isobel Campbell (Belle & Sebastian) ou Érica Martins (Penépole) da vida.
 
Os poucos deslizes de Déjà-vu não comprometem. Parece, por exemplo, redundante a inclusão de Uma Mensagem de Amor. Tudo bem que a canção é bonita, mas ela já havia sido regravada há pouco tempo e com alguma repercussão ? por Lucas Santana. Mesma coisa para Aquarela do Brasil, que não está mal, mas soa como uma concessão para gringo ouvir em um CD que deve ser lançado no mercado internacional.

Sem dúvida, é a revisita aos hits Beat Acelerado, Sândalo de Dandi e Johnny Love que mais despertará o interesse pelo trabalho. No caso, o acerto é evidente, já que as versões repaginadas não decepcionam os fãs saudosistas e têm tudo para conquistar alguns novos. Os outros destaques do CD são a tradicional Achei Bonito, valorizada pelo apoio do coro infantil, Resemblances e a básica e eficiente Missing You.
 
Um atrativo a mais, o belo trabalho gráfico da capa e encarte é também coerente com a atmosfera de Déjà-vu, a trilha perfeita para um verão tranquilo à beira do mar ou da piscina. Ideal para quem está na fase de valorizar um amor companheiro, a amizade, as influências multiculturais e que já entendeu que muita pretensão cansa e é chato. Enfim, tem-se aqui um antídoto ao tribalismo de uns e outros.
(Rodrigo Barreto)

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