OLHAR
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SAUDADE DO BRASIL
Brasil Online
16/12/2002
 
"Ai, que saudade eu tenho da Bahia". É com essa frase que os franceses do Metrô abrem seu recém-lançado CD, "Déjà-vu". Se em "Olhar", disco que revelou a banda em 1985, uma sonoridade tecnopop flertava com alguns elementos da música brasileira, nesse novo disco a coisa se dá com muito mais intensidade.
 
Para começar, escalaram repertório de várias vertentes da MPB "tradicional": samba-exaltação ("Aquarela do Brasil", de Ary Barroso), samba de morro ("Leva Meu Samba", de Ataulpho Alves), bossa nova ("Coração Vagabundo", da primeira lavra de Caetano Veloso), jovem guarda ("Rapaz da Moda", de Evaldo Gouvêa e Jair Amorim, sucesso de Jair Rodrigues), samba rock ("Que Nega É Essa?", de Jorge Ben), pop oitentista ("Mensagem de Amor", de Herbert Vianna, gravado antes por Léo Jaime). Terminam o passeio chegando nas releituras deles próprios, nas fofíssimas "Beat Acelerado", "Johnny Love" e, em especial, em "Sândalo de Dandi", versão superior à original.

Musicalmente, os arranjos eletrônicos quase sempre se casam muito bem com a batida de violão da bossa nova, como Bebel Gilberto já bem demonstrou em seu disco "Tanto Tempo", de 2000. A produção, explicitamente enxuta, também cuidou de não deixar que deslizassem tecnologias excessivas sobre o disco, o que poderia tê-lo tornado duro ou frio. Também desse ponto de vista, a independência só trouxe benefícios ao Metrô.

Entre tantos convidados, é Jorge Mautner quem parece ter trazido mais de si à faixa que ajudou a interpretar. Admirador confesso de Ataulpho Alves, ele chora com voz e violino no melancólico samba do compositor, que aqui ganhou batuque de macumba e violão sincopado do parceiro Nelson Jacobina.

Bem, com a alma mais abrasileirada que nunca, o Metrô está de volta e, dizem eles, é para ficar. Tomara.
(Marcus Preto)

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